Projetos, apontamentos e retratos

A coleção de desenho integra cerca de seiscentas peças, a grafite, lápis de cor, lápis de cera, sanguínea, pastel, carvão, tinta da china, tinta ferro gálica e aguada.

Compreendendo os séculos XVIII, XIX e XX, as obras têm diferentes proveniências e modos de incorporação. Além das doações e aquisições, é importante referir a transferência de desenhos que pertenceram à Escola Livre das Artes do Desenho e a dos desenhos relativos à Reforma da Universidade de Coimbra (1772-1777) que desde então permaneceram no paço episcopal.

As obras mais antigas da coleção datam do séc. XVIII e compreendem um valioso conjunto de peças pertencentes à Reforma Pombalina e projetos diversos para retábulos das igrejas da região beirã e para peças de ourivesaria sacra.

Dos séculos XIX e XX existe uma grande diversidade de desenhos, maioritariamente avulsos. Distinguem-se pela sua qualidade os estudos de figura e de composição de Domingos António Sequeira; os estudos para ilustração de Os Lusíadas, por Soares dos Reis, na edição de 1878; os desenhos de cenas da História de Portugal da autoria de Manuel de Macedo; os registos de elementos arquitetónicos feitos por António Augusto Gonçalves; o álbum de paisagens ‘do natural’ da mão de Luís Bastos; os projetos para jazigos e lareiras concebidos por João Machado; o Retrato de Suzanne Lenglen, no traço arrojado de Almada Negreiros, ou, ainda, as depuradíssimas figuras dos retratos femininos da última fase de Manuel Jardim.

São cento e vinte e sete os desenhos da Reforma Pombalina ( MNMC2870 ) na coleção do Museu, visando a construção e adaptação de edifícios para as dependências universitárias, sobretudo os novos equipamentos para a ciência bem como os arranjos urbanísticos complementares. Deles fariam parte a Imprensa da Universidade ( MNMC308 4), a instalar no sobreclaustro da antiga Sé e em espaços a ela contíguos; o Laboratório Químico ( MNM3084) , o Jardim Botânico ( MNMC2885 )que conheceu mais do que um projeto e o Observatório Astronómico, obra máxima da ciência, cuja edificação em Coimbra passou por várias vicissitudes e numerosas variações de projeto, acabando por ser construído provisoriamente no Pátio das Escolas, já no séc. XIX.

O mentor desta reforma foi o Marquês de Pombal, sendo D. Francisco de Lemos Pereira Coutinho, bispo-conde e reitor da Universidade, o seu executor. O arquiteto William Elsden, cujo nome «Guilherme Elsden Te. Cel. &» aparece inscrito em muitas das cópias realizadas pelos oficiais ajudantes, teve um papel preponderante, persistindo a sua influência, em Coimbra, através da escola de arquitetura a que deu início.

Terminado o reinado de D. José I e desacreditado o Marquês de Pombal, o ideário da Reforma da Universidade de Coimbra prosseguiu. Contudo, as obras deixaram de ser consideradas prioritárias e foram entregues a novos arquitetos: José Carlos Magne, Manuel Alves Macomboa e, já no séc. XIX, José do Couto dos Santos Leal.

Doze dos desenhos conservados no Museu integram o Livro das Obras da Universidade (Livro de Provisões). Existem mais dois álbuns, também com encadernação da época, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e um terceiro – o Livro dos Riscos das Obras da Universidade de Coimbra – na posse da família do Engº João Miguel dos Santos Simões.

A Universidade de Coimbra guarda, em diversos departamentos, outros desenhos da Reforma: na Biblioteca Geral, no Arquivo, no Observatório e na Biblioteca do Departamento de Botânica.