Este relicário combina a excelência de vários materiais. As formas atormentadas do coral parecem indissociáveis dos seus poderes profiláticos e da sua simbologia de longevidade. A prata explora as técnicas engenhosas dos ourives, associando a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Além do valor de símbolo heráldico, e participando duma visão codificada da obra de arte, o relicário do Santo Lenho repousa sobre dois leões de vulto pleno, guardiães possantes da fragilidade da sua relíquia, encimada pela cruz em aspa, símbolo de humildade. A utilização de dois leões liga-se às noções de força, esplendor e coragem, e à crença de que este animal nascia morto, voltando à vida três dias depois, quando o pai respirava sobre ele. O leão identifica-se, assim, com a figura de Cristo morto na cruz. Acreditar que os leões dormem de olhos abertos, também os tornava garantes da vigília e guardiães do sagrado.