Esta peça fez parte de um retábulo, doado pela rainha D. Leonor, que nela fez pintar o seu ex-libris – o camaroeiro – e as armas reais, representados na túnica e no firmal dos dois anjos que, à esquerda do observador, amparam a Virgem na Sua assunção. A cena orienta-se toda para o canto superior deste lado do painel onde Deus Pai aguarda Maria.

Trata-se de uma obra da primeira escola de pintura documentada em Coimbra, a partir de 1498: a oficina de Vicente Gil e seu filho, Manuel Vicente, conhecidos tradicionalmente por Mestres do Sardoal.
Apesar do apego aos modelos góticos que a sua composição revela, os elementos decorativos e os fundos de paisagem denunciam já a transição para a pintura do reinado de D. Manuel I.
A representação das armas reais e do ex-libris demonstram o papel da arte tardo-medieval – e afinal de todos os tempos – ao serviço do poder, seja ele político, ou eclesiástico.