A tapeçaria flamenga, produzida numa oficina de Bruxelas, conta uma história baseada num mito da Antiguidade Clássica e adaptada por Ovídio na sua obra “Metamorfoses”.

De acordo com a mitologia, a beleza de Vénus despertava inúmeras e arrebatadoras paixões no seio dos deuses. Júpiter decidiu casá-la com Vulcano, o enjeitado deus do fogo e das forjas. Contudo, o casamento não a impediu de manter uma ligação amorosa com Marte.

O deus da guerra tinha escolhido Alectrião para sentinela, incumbido de dar o alerta mal o sol nascesse, impedindo assim que os seus encontros secretos com Vénus fossem descobertos. Contudo, certo dia, Alectrião adormeceu e Hélio, o deus sol, rapidamente avisou Vulcano. Transbordando raiva e ciúme, este decidiu enxovalhar o par apaixonado, tratando de forjar uma corrente de ferro para os amarrar e pedir aos outros deuses para testemunharem a pecaminosa infidelidade. Humilhado, Marte jura vingança e transforma Alectrião num galo para que este passe a anunciar o nascer do sol, todos os dias, de forma pontual!

Pode parecer estranho que esta cena profana adornasse o espaço sagrado da Sé de Coimbra, mas dela se tirava uma lição moral, neste caso, o dever de fidelidade às pessoas e aos compromissos.