O seu navegador necessita de suporte Javascript para esta funcionalidade. Museu Nacional Machado de Castro - Glossário
29 de Abril de 2017
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Glossário

A


 

ABACO - Elemento superior do capitel de uma coluna sobre o qual assenta a arquitrave.

ABÓBADA - Cobertura de forma curva, de um vão entre duas ou mais paredes. Pode ser simples ou composta, lisa ou decorada.


ACANTO - Ornato composto por planta cuja folhagem é utilizada na decoração aparecendo frequentemente, na talha e no azulejo, em folha singela, repetida ou enrolada em volutas.

ACRÍLICO – Técnica de pintura que tem como aglutinante um polímero sintético, dissolvido com solventes orgânicos ou em emulsão aquosa. É usado industrialmente em tintas artísticas a partir dos anos 60 do século XX.

AGLUTINANTE – Substância que mantém as partículas de pigmentos, corantes e de cargas inertes unidas entre si, de forma a ligá-los (aglutiná-los) e provocar a sua coesão e aderência ao preparo e ao suporte. O tipo de aglutinante determina a técnica utilizada pelo artista. Podem ser aquosos (cola animal, ovo, caseína), ou oleosos (óleo de linho); ou, sintéticos (acrílicos, vinílicos).

AGUADA – Pintura com tinta diluída em água e goma usada na aguarela e no desenho avivado.

AGUARELA – Técnica de pintura em que o aglutinante é a goma arábica, solúvel em água, aplicável sobre papel, cartão, pergaminho ou marfim, que permite a obtenção de camadas coloridas de grande transparência. v. TÊMPERA


ARCOSÓLIO - Vão escavado em forma de arco numa parede interior ou no muro exterior de uma igreja ou capela, albergando um túmulo.

ADOSSADA - Diz-se de qualquer escultura, independemente do seu volume ou grau de saliência, cujas costas se encostam ou aplicam contra uma superfície plana (parede, muro de um edifício, painel de um móvel, painel de um retábulo) e estão fixas através de diversos meios ( ganchos, pregos, etc.). Os relevos de adossamento são relevos relacionados e fixados depois do acabamento sobre um fundo independente, não tendo sido concebidos para estarem destacados (baixo ou alto relevo aplicado num retábulo, por exemplo). Não deve confundir-se a escultura adossada com uma escultura com as costas planas sem trabalho, nem com uma escultura com as costas escavadas, apesar destas poderem estar associadas a um enquadramento ou albergue arquitectónico e terem sido feitas para serem vistas apenas de frente.

AEROGRAFIA (técnica de) - Técnica de decoração que consiste na aplicação na chacota da cor por jacto pulverizado, o pigmento aplicado sob pressão com um “aerógrafo”, sendo o desenho realizado através de estampilhas de zinco.

ALBARRADA - Vaso de flores ladeado por pássaros, golfinhos ou putti, composições autónomas na 2ª metade do séc.XVII que, no século XVIII se transformam em motivos de repetição intercalados por palmitos ou outros motivos vegetalistas, constituindo painéis seriados formando SILHARES.

ALFARDON - Corpo cerâmico hexagonal de pavimento, justaposto a cada um dos quatro lados de uma LOSETA, formando composições octogonais. Produção de Valência do séc.XV e 1ª metade do séc.XVI.

ALICATADO (técnica de) - Composição decorativa constituída pela combinação de secções recortadas de azulejo de diferentes cores lisas, com múltiplas formas geométricas justapostas, segundo esquemas preestabelecidos.

ALICER (ou TACELO) - Peça cerâmica monocroma, de pequenas dimensões, usada na composição de mosaicos.

ALJÔFAR - Termo de origem árabe muito usado no século XVI para designar pérolas, em particular as do Golfo Pérsico. Subsiste ainda em alguns meios como sinónimo de pérola natural pequena, não sendo, porém, reconhecido na terminologia gemológica.

ALMINHA - Azulejo isolado ou pequeno painel de azulejos representando as Almas do Purgatório envolvidas pelas chamas. Na base P.N.-A.M.(Padre Nosso –Ave Maria).Manifestação de culto popular, a par dos REGISTOS.

ALMOFADA - Elemento decorativo saliente, geralmente em madeira, de forma quadrangular, que se aplica nas faces dos móveis. Pode ser contornado com moldura ou filetes.

ALTO-RELEVO - Relevo cujas figuras ou formas apresentam, pela sua saliência, mais de metade do seu volume real, e em algumas das partes podem estar destacadas do fundo

ALVA - Túnica comprida, normalmente de linho branco.Pode ser ornamentada com renda e/ ou bordado na parte inferior e na extremidade das mangas. Usada sob a CASULA, DALMÀTICA, PLUVIAL.

AMITO - Peça rectangular, em linho branco, cerca de 80 a 90cm de comprimento, com duas fitas. Usado sobre a ALVA, como um pequeno xaile à volta dos ombros, ajustado ao corpo pelas fitas ou cordões.

ARCA, ucha, caixa - Móvel de conter, geralmente de forma rectangular, composto por receptáculo fechado por tampa plana. Quando de grandes dimensões, designa-se por arcaz ou caixão, podendo incorporar gavetas e portas.

ARCOSÓLIO - Vão escavado em forma de arco numa parede interior ou no muro exterior de uma igreja ou capela, albergando um túmulo.

ARESTA (técnica de) - Técnica de decoração hispano - mourisca que consistia na aplicação do barro cru em moldes de madeira ou metal, formando arestas salientes, que isolavam os diversos esmaltes coloridos. Surge em Sevilha em finais do séc. XV, prolongando-se a sua utilização no séc. XVI, substituindo a técnica de CORDA SECA.

ARGILA - Barro ou terra que, misturado com água ,adquire plasticidade.

Argilas primárias ou residuais - A este tipo pertence o caulino ou argila de porcelana. É de estrutura quase cristalina, regular e com menor plasticidade.

Argilas secundárias ou sedimentárias - Têm impurezas minerais e estrutura cristalina irregular, que se decompõe facilmente. Têm grande plasticidade e são de cor variada.

Argilas refractárias - Encontram-se em combinação com o carvão e podem cozer a temperaturas a partir dos 1500ºC.

ARMÁRIO - Móvel de conter, desenvolvendo-se geralmente em altura, constituído por um ou mais corpos fechados, acessíveis por portas, paíneis deslizantes ou extensíveis. É por vezes rematado superiormente por cimalha e frontão. Pode ainda apresentar gavetas de acesso exterior, colocadas a dividir o corpo superior do inferior, ou só na parte inferior (guarda fatos/biblioteca). O seu interior é composto por elementos para suspensão, prateleiras, e /ou gavetas. Assenta em pés fixos, soltos ou em rodapé.

ARQUIVOLTA - Elemento de arquitectura. Corresponde a cada um dos arcos que se sobrepõem a um portal, podendo apresentar-se decorados com esculturas adossadas ou em relevo.

ASSINATURA – Apesar de desde o século XIX a assinatura das pinturas se ter tornado vulgar, ela nem sempre é comum antes dessa data, variando de local para local, e consoante os pintores. É rara antes do Renascimento, e é pouco frequente na pintura portuguesa antes do século XVIII. A assinatura não garante, por si só, a autoria de uma obra, podendo encontrar-se assinaturas falsificadas sobre as obras autênticas, para valorizarem o preço da pintura. A forma mais comum de assinatura é a inscrição do nome, seguido por vezes da data. Por vezes esse nome é inscrito numa cartela ou moldura colocada num muro, ou num pequeno papel aparentemente caído, a que se dá o nome de “cartellino”. Por vezes a assinatura é condensada, limitando-se às iniciais do pintor, ou a uma característica forma de as organizar, isto é, a um monograma. Outras estende-se numa inscrição mais longa onde ao nome do pintor se juntam informações dos seus cargos, filiação artística ou física, ou sobre algumas circunstâncias relacionadas com a produção da obra. A assinatura é ainda acompanhada por vezes de uma palavra latina, que pode ser mais ou menos contraída: as mais comuns são fecit (fez), que pode aparecer contraído como “fec”, ou simplesmente “f.”, e pinxit (pintou), por vezes contraído como “pint”. Invenit – (ou nas abreviações Inv. ou Inven.), significa “inventou” e designa quem desenhou a obra, o que por vezes pode ser separado do seu executante (exhcdudebat). Se bem que nem sempre as assinaturas apareçam na face da pintura, é conveniente não as confundir com nomes ou palavras que se detectam mais usualmente no verso destas e que designam por vezes atribuições ou antigos possuidores.

ATLANTE - Figura masculina ou meia figura em relevo ou em vulto que constitui um suporte arquitectónico. Pode ter as funções de um capitel, suportar um entablamento, uma cornija, um frontão, segundo o modelo do gigante Atlas que carregava a abóbada do céu sobre costas. Estruturalmente, pode funcionar também como coluna ou pilastra.

ATRIBUIÇÃO – A atribuição é o acto de propor uma autoria para uma pintura que não tem assinatura nem está fidedignamente documentada. Essencial para a compreensão dos autores e da história da pintura dos séculos anteriores ao século XIX, em que grande parte da pintura não é assinada, a atribuição converteu-se durante boa parte do século XIX e mesmo no século XX numa parte essencial da História da Arte, criando ordenações e relacionamento no universo de milhares e milhares de pinturas de autores desconhecidos. A base da atribuição é a comparação com outras obras, pelo que é essencial haver sempre uma base documental fidedigna para fundar a comparação. Ampliações fotográficas e uma atenção muito grande ao detalhe foram as primeiras armas da atribuição, que hoje pode valer-se de uma quantidade de análises químicas e físicas que permitem aumentar o material documentado usado na comparação. Para que uma atribuição seja aceite pesam vários factores, desde a qualidade da prova produzida, até à fiabilidade das comparações e, em grande medida, a autoridade científica sobre determinado autor ou escola, do historiador ou grupo que faz a atribuição. Muitas obras atribuídas são hoje unanimemente aceites, de uma forma tão credível como uma assinatura autografa ou uma base documental clara, mas a simples menção da atribuição antes do nome do pintor (atribuído a …) indica-nos já uma margem de reserva, pelo que a expressão só se utiliza na falta de uma unanimidade da crítica. Um dos grandes problemas da atribuição é o facto de ela ser a acção da história da arte com maior implicação no mercado, podendo fazer subir ou baixar imenso o valor de uma obra de arte. Por vezes os historiadores são tentados a uma atribuição, mais ou menos forçada, condicionada a determinado estado da investigação, mas as implicações desse facto são imediatas no mercado, o que acaba por condicionar alguns aspectos do debate científico sobre as obras. Por maioria de razão o trabalho feito num Museu deve ser extremamente cauteloso quanto ao sentido das atribuições que apresenta. v. PERITAGEM e AUTENTIFICAÇÃO

ATRIBUTO(S) - Elemento(s), objecto(s), animais, plantas, etc – que acompanha(m) as esculturas e através dos quais se pode chegar à sua identificação iconográfica. Nas imagens de santos, de personagens sagradas, ou da mitologia, representam simbolicamente episódios das suas vidas.

AUTENTIFICAÇÃO – A autentificação é a certificação do carácter autêntico de uma obra de arte, quer no que respeita ao seu carácter de não falso, isto é, de correspondente à época, quer ao envolvimento artístico e provavelmente ao autor a que é atribuído. A autentificação pode centrar-se, por exemplo, não em toda a pintura, mas no carácter autógrafo de uma assinatura. O termo autentificação é usado também para assegurar o carácter autêntico do espólio remanescente de um artista que, por sua morte, deixa frequentemente no atelier uma enorme quantidade de obras, estudos, desenhos, etc. não assinados. Nesse caso, a família, ou uma comissão de amigos, colegas ou executantes do testamento procede à autentificação desse espólio, carimbando-o e assinando a responsabilidade dessa autentificação. Por vezes pretende utilizar-se o termo aplicado a uma peritagem privada elaborada por um perito, historiador, restaurador, ou comerciante do ramo que, a pedido de um proprietário ou vendedor emite um documento em que “autentifica” determinada obra. A aceitação deste tipo de atribuição, sem publicitação e sem debate científico deve ser encarada com as maiores reservas.



AVENTAL,aba, saia,saial - Elemento central que prolonga inferiormente a frente e as ilhargas de vários móveis e onde geralmente se concentra o trabalho decorativo.

AZULEJO- Corpo cerâmico, de espessura variável, geralmente quadrado, constituído por base argilosa(CHACOTA),decorada e vitrificada ou não numa das faces, destinada essencialmente a revestimento parietal.

AZULEJO DE FIGURA AVULSA - Azulejo que contém em si mesmo todo o motivo principal - flores, frutos, animais, figuras humanas, barcos, cestos, construções variadas. Geralmente é decorado nos quatro cantos com pequenos ornatos que constituem elementos de ligação.

AZULEJO DE PADRÃO - v.PADRÃO

AZULEJO HISPANO - MOURISCO – Designação dada geralmente ao azulejo produzido na técnica de CORDA SECA e de ARESTA, em Sevilha e Toledo nos séculos XV e XVI.

AZULEJO INDUSTRIAL - Designação dada ao azulejo fabricado em série, com a chacota e a pintura realizados por processos mecânicos.
 

B

BAIXO-RELEVO - Relevo cujas formas criam uma saliência inferior a metade do volume real das figuras ou dos elementos representados.

BARBOTINA - Papa de argila ou de outra pasta cerâmica que se utiliza para unir as partes de uma peça em estado cru ou mole, na fabricação de corpos cerâmicos moldados.

BARRA - Tipo de GUARNIÇÃO composta, constituída por duas séries de azulejos justapostos e sobrepostos, limitando uma composição, tendo como soluções de fecho os cantos e contracantos. Actualmente designa, em geral, um motivo linear com as mesmas dimensões do azulejo que acompanha.

BARRO - Terra de grão fino formada pela decomposição de rochas ígneas que, quando combinada com água, é suficientemente plástica para se lhe dar forma; quando seca fica sólida e depois de cozida a altas temperaturas ganha forte resistência física.

BATINA - Com a volta (tira branca, engomada, usada à volta do pescoço), constitui o traje normal dos presbíteros. Normalmente em tecido preto, vermelho para os prelados, é comprida e abotoada de cima a baixo com pequenos botões.

BAÚ, bahú, bahul - O seu uso é muito antigo e associa-se à bagagem de transporte (guardar no bahú ou embauhular). A característica principal deste móvel refere-se à forma convexa da sua tampa, própria para deixar deslizar a água da chuva, durante a viagem. Podia ser executado em madeira ou vime, sendo na maioria dos casos coberto de couro e pregaria. Nalguns casos, a parte superior das ilhargas da caixa, corresponde à curvatura da tampa, noutros a tampa é fechada lateralmente. 

BISTRE – Tinta de cor semelhante à do alcatrão, obtida pela diluição de fuligem em água. Utilizada desde o séc. XIV na ilustração de livros e, posteriormente no desenho à pena e aguarela. Foi substituída no séc. XIX pela sépia. v. SÉPIA

BOLO (BOLUS) – camada prévia do douramento a água, constituída por argilas muito finas e purificadas (alumino silicatos, óxidos de ferro) aglutinadas com cola que aplicada sobre o aparelho (preparo) permite, depois, a brunidura da folha de ouro.

BOLSA de CORPORAIS - Formada por duas peças quadrangulares, rígidas, normalmente de cartão revestido de tecido, cerca de 16 - 20 cm. Usada para guardar o CORPORAL, é colocada sobre o cálice, coberto pelo VÉU de CÁLICE.

BÓLUS, BOLO ARMÉNIO – Argila untuosa, escura ou clara. O bólus vermelho serviu como mordente, sobre o qual era aplicada a folha de ouro, na escultura e pintura de manuscritos. v. MORDENTE

BRAÇOS - Travessas horizontais geralmente fixas na prumada traseira da cadeira, com apoio vertical na extremidade livre. Servem para descansar os antebraços. Por vezes as costas baixas prolongam-se acompanhando o assento lateral servindo assim para apoiar os braços de quem nelas se senta.

BRANCO DE PRATA – Pigmento usado no fabrico de tinta branca, a partir de óxido de chumbo. v. PIGMENTOS

BRILHANTE - Expressão de gíria muito utilizada para designar o diamante mas que, em rigor, se refere a um estilo de lapidação e não a este ou qualquer outro material gemológico. V. TALHE BRILHANTE.

BRILHO - Propriedade física que descreve a forma como a superfície de um material reflecte a luz incidente e que é dependente do índice de refracção e, no caso de pedras lapidadas, da sua dureza (por esta última condicionar a qualidade do polimento).

BRUTESCO - Ornamento de grande dimensão representando animais, plantas ou seres fantásticos articulados entre si por imbricamentos de ornatos vegetalistas ou geométricos.

BUFETE - Designação que vem do francês buffet, mas de cuja função se distanciou. Aplica-se geralmente no mobiliário português, esta denominação a uma mesa de grandes dimensões e de decoração cuidada, "espécie de banca lavrada de melhor pao que o ordinário e com mais curiosidade" , destinada a grandes espaços de recepção.
Apresenta ainda a particularidade de ter o tampo habitualmente à face do aro, e de ter gavetas (reais e fingidas), a toda a volta. Este termo aparece por vezes, na documentação, a designar indiscriminadamente qualquer tipo de mesa ("... um bufetinho dourado "). No século XIX e XX, os bufetes são geralmente remetidos para os átrios das habitações.


C

CABUCHÃO - Palavra derivada do latim caput, significando cabeça ou parte superior da cabeça, e que em francês originou a palavra cabochon. Corresponde a um estilo de lapidação que consiste numa superfície curva polida com base plana, côncava ou convexa e com contornos variados.

CACHAÇO - Secção superior horizontal do aro ou moldura do espaldar, topo.

CADEIRA de SOLA - Designação vulgar para as cadeiras com costas e assento de couro grosso

CADEIRA “ DE VESTIR” - Cadeira de espaldar alto estofada em alguns casos de holandilha, (tecido grosseiro de linho), sobre a qual se adaptavam em ocasiões de cerimonial, capas móveis de tecido (C.Pinto,1952,p.66). Apresenta as zonas que ficam à vista (os braços, o saial e as pernas) mais decoradas; o espaldar, que fica oculto, apresenta-se em geral liso.

CALCO OU DECALCO – Modo de transposição de um desenho que consiste em pressionar uma superfície sobre o desenho original, ou as costas deste sobre a superfície a imprimir.

CAMAFEU - Gravura em relevo, geralmente efectuada em pedras translúcidas a opacas zonadas com colorações diferentes (e.g. ágata, concha), em que o desenho sobressai de um fundo de cor contrastante. São também conhecidos camafeus obtidos por moldagem ou por prensagem em materiais como o vidro e cerâmicas.

CÂMARA CLARA – Instrumento de óptica em que se suporta numa haste um prisma quadrangular com um ângulo recto e um ângulo de 135°, ou um prisma triangular e uma placa de vidro, permitindo obter uma imagem projectada sobre uma superfície onde se pode desenhar. Embora a câmara clara, ou câmara lúcida, tivesse sido uma invenção de Wollaston no século XIX, alguns autores consideram que processos semelhantes teriam sido utilizados no Renascimento e na pintura holandesa do século XVII, debate que foi reaberto por um recente artigo de David Hockney.

CÂMARA ESCURA – Instrumento óptico que está na base da descoberta da fotografia. Permite obter uma determinada imagem e retê-la, numa chapa fotográfica, numa memória digital ou, simplesmente num vidro despolido, permitindo a execução de um desenho. Na história da pintura foi utilizada provavelmente desde o século XV, havendo menção expressa de melhoramentos ao sistema desde a segunda metade do século XVI (Giovanni Baptista della Porta, 1588). Pintores como Vermeer, nos seus interiores, ou Canalleto nas suas vistas de Veneza utilizaram a Câmara Escura, embora este último tecesse críticas à distorção da perspectiva que o seu uso implicava.


CANAPÉ, ganapé - Móvel de assento colectivo, divulgado no século XVIII, constituído por assento, com costas e apoios de braços. O número de lugares pode eventualmente ser marcado por espaldares diferenciados e unidos, ou pelos apoios intermédios dos braços. No início do século XVIII designou-se este assento colectivo por banco preguiceiro, espreguiceira, preguiçadeira, diferenciando-se depois do canapé, por apresentar o assento mais fundo. A nomenclatura só será mais clara no final de setecentos, embora (seja) confusa na documentação, a destrinça, entre estes dois móveis (Pinto,1979).

CANTONEIRA - Peça cerâmica utilizada como acabamento das arestas entre duas superfícies perpendiculares de azulejo.

CANTO - v. BARRA

CAPA MAGNA - Capa de cerimónia, por vezes com cauda, formalmente semelhante ao PLUVIAL. Pode ser ornamentada com arminho .É própria dos cardeais e bispos, bem como dos abades e abadessas.

CAPITEL - Elemento de arquitectura que coroa o fuste de uma coluna, de uma pilastra ou de um pilar. Na arquitectura clássica ou na arquitectura classicista, exprime a ordem arquitectónica: pode ser um capitel dórico, jónico, coríntio, compósito, toscano.

CARIÁTIDE - Estátua feminina com função de coluna suportando uma arquitrave, cuja parte inferior do corpo pode ter a forma de pedestal.

CARRANCA - Elemento decorativo formado por cabeça disforme, humana, animal ou híbrida, usada como ornamento.

CARTÃO – Papel grosso utilizado como suporte de pintura, menos frequente antes do século XX. Até aí o termo “cartão” designa sobretudo o desenho ou a pintura a têmpera, efectuada sobre esse material e destinada a servir de protótipo para tapeçarias, mosaicos ou pinturas a fresco, ou outras pinturas.

CARTELA - Ornamentação baseada na representação de uma superfície lisa, emoldurada e aplicada sobre um fundo, destinada a receber uma inscrição, um monograma, uma decoração. Pode apresentar a forma de uma pele seca de animal cujas margens surgem enroladas sobre si, dobradas, arredondadas ou cortadas.

CARVALHO – A utilização na pintura do carvalho do norte, ou madeira de bordo, como aparece referida na documentação portuguesa, foi a mais generalizada entre as madeiras de suporte da pintura, envolvendo um comércio à escala europeia que passava pelo seu abate nas florestas do Báltico, a sua secagem nos grandes armazéns da Holanda e a sua exportação para toda a Europa, sendo sobretudo utilizada na Flandres, Alemanha, França e Península Ibérica. A datação do abate, em certas situações, é possível pela análise dos anéis de crescimento, o que dá uma ajuda preciosa na datação da pintura, embora com inúmeras variáveis, pois o tempo de secagem, de circulação e comercialização é também ele muito variado. v. MADEIRA

CARVÃO – Resíduo obtido pela carbonização da madeira (vegetal) ou de ossos (animal), que pode servir como material riscador, ou de pigmento negro.
Desenho feito a lápis de carvão sobre papel ou tela. Fácil de apagar com um pano ou pincel, o carvão foi muito usado em estudos preparatórios e até em obras de arte, uma vez fixado.

CASTANHO – Madeira da árvore Castanea sativa, de cor ocre avermelhada. Como suporte da pintura foi utilizado exclusivamente na pintura portuguesa dos séculos XV e XVI, com particular intensidade na Beira Interior. v. MADEIRA

CASULA - Peça formada por duas partes unidas nos ombros e com uma abertura para a cabeça, com forma variável através dos tempos, desde as casulas góticas amplas e maleáveis às peças inteiriças e de recorte pronunciado.Executada em tecido (s), ornamentada com bordados e galões, é a peça liturgicamente mais importante, especificamente destinada à celebração da Eucarística. É envergada apenas pelo celebrante, excepto no caso de se encontrarem presentes vários bispos ou noutra circunstância muito específica. Este facto explica a presença de várias casulas iguais em certos paramentos, quando normalmente só surge uma.

CENDAL - Veste usada por Jesus Cristo na Crucifixação e que se resume a uma faixa estreita de pano que envolve o corpo abaixo da cintura. Sinónimo de perisonio, do latim perisonium

CERÂMICA - Todo o objecto constituído por uma pasta argilosa que sofreu alterações físicas e químicas por acção de temperatura superiores a 600ºC.

CERCADURA - Tipo de MOLDURA simples, constituída por uma série de azulejos justapostos. A decoração é limitada por dois bordos.

CHACOTA - Objectos e peças cerâmicas que foram cozidas no forno uma única vez e ainda não apresentam vidrado. Para o caso específico da porcelana usa-se o termo biscoito.

CHINOISERIE - Pinturas decorativas de paisagens e personagens chinesas.

CINTILAÇÃO - Lampejos de luz decorrentes do movimento, visíveis a partir das várias facetas de uma pedra lapidada, sendo particularmente importante na aparência do diamante. A sua qualidade depende, além das propriedades ópticas da pedra em si, do número de facetas, da sua dimensão, das proporções relativas e da qualidade do seu polimento.

COBERTA de ALTAR – Pano destinado a proteger o altar e a TOALHA de ALTAR. Actualmente costuma acompanhar a cor litúrgica.

COBERTURA de CUSTÓDIA /VÉU – Formada por duas peças de tecido, unidas pelos lados superiores, ou apresentando-se com outras variações formais. Normalmente em seda branca, pode apresentar monograma cristológico bordado.

COBRE – A pintura sobre suportes de cobre desenvolveu-se sobretudo depois de meados do século XVI, altura em que foi possível obter pranchas finas e homogéneas de alguma dimensão, embora antes fosse já utilizado em pequenos retratos, miniaturas e como base de esmaltes. Apesar de poder oxidar, o cobre é um suporte com alguma resistência a variações de temperatura e humidade e fácil de transportar, mas a dimensão posível de obter e trabalhar foi sempre uma limitação que afastou os maiores mestres deste material e, pelo contrário, fez a preferência de um mercado de cópias, réplicas e imagens devocionais de pequenas dimensões. O seu uso no paisagismo nórdico merece no entanto ser realçado. Caiu francamente em desuso ao longo do século XVIII.

COFRE - Móvel utilizado para guardar objectos de valor afectivo, simbólico ou material. Possui, em regra, fechadura. Tanto pode designar um móvel de grandes dimensões com a tampa acuminada, como um móvel de pequenas dimensões portátil, executado geralmente em materiais ricos. Designa-se por “cofre-forte” ou “burra” quando se destina a guardar ouro, prata ou objectos de grande valor, sendo executado muitas vezes em madeira coberta de placa de metal no interior e no exterior ou só em ferro. Comporta geralmente uma ou mais fechaduras ligadas a um mecanismo complexo incorporado no reverso da tampa.

COLA – Refere-se geralmente ao adesivo de origem animal, constituída por colagénio, obtido por cocção de pele de animais, tendo sido utilizada desde a pré-história como aglutinante. Filipe Nunes refere-se a esta cola como de Baldreu.

CÓMODA - Móvel de conter, característico do século XVIII, destinado geralmente a adornar os salões e quartos de vestir. A sua denominação deriva directamente da funcionalidade ou da “comodidade” que o caracterizam. Tem vulgarmente formato rectangular. Apresenta o tampo em madeira ou mármore sobre um corpo fechado, que comporta um número variavél de gavetas sobrepostas, em regra de duas a cinco, ocupando geralmente todo o seu interior. Apoia-se em pés. Mais raramente (especialmente em peças estrangeiras), apresenta na frente ou lateralmente, portas ou painéis extensíves. Pode ainda, como móvel combinado, apresentar alçado, sendo nesse caso designada por cómoda com alçado.O alçado ou armário pode servir para guardar livros ou no caso nacional, utilizar-se como orátorio, contendo imagens. São-lhe atribuídas inúmeras designações consoante for a forma da frente, das ilhargas, número e disposição das gavetas, ou portas ou funções específicas para as quais foi executada.

CONCHEADO - Ornamento feito por um conjunto de elementos que imita conchas.

CONTADOR - Móvel utilizado para a guarda de documentos ou pequenos objectos de valor, é constituído por um corpo ou caixa, onde se inserem, sobrepostas e justapostas, um número de gavetas, à vista, com as frentes aparentemente iguais, podendo esconder um ou mais segredos. Quando de maiores dimensões, apoia-se numa base, mesa ou trempe propositadamente executada para o efeito, quase sempre rematada com um avental mais ou menos elaborado. A base é constituída por uma mesa simples, nalguns casos com gavetas e /ou gavetões ou, mais raramente, por um armário baixo. Nalguns casos, possui um corpo intermédio geralmente decorado de forma semelhante à caixa. Este pode ser independente, fazer parte da base, ou mais raramente, fazer parte da caixa. O contador com mesa, encontra-se habitualmente encostado à parede, por conseguinte só raramente apresenta decoração nas costas. Este termo que designa um móvel de feição nacional, não tem correspondência nos seus congéneres europeus(cabinets), cuja parte superior apresenta diversas variantes: tampa ou alçapão superior, gavetas de frentes desiguais agrupadas em torno de um nicho ou escaninho e duas portas.

CONTAS - Ornato composto de pequenas esferas ou pérolas justapostas.

CONTRACANTO - v.BARRA.

CONTRALUZ – Luz oposta ao espectador de determinado objecto, prejudicando a sua apreensão. Representação da figura ou objecto a essa luz evidenciando o contorno.

CONTRAPOSTO – Atitude ou pose da figura humana em que há uma contraposição de partes do corpo (parte superior virada para um lado enquanto a inferior se volta para o outro, partes em tensão, outras distendidas). O contraposto foi desenvolvido pelos escultores gregos na época clássica e voltou a ser empregue a partir do séc. XVI e sobretudo durante o Maneirismo.

COMPOSIÇÃO – Esquema de ordenação cromática e das massas pictóricas ou escultóricas de que o artista se serve para obter harmonia no conjunto visual ( ex. A composição em pirâmide na pintura do Renascimento; a composição em serpentina na escultura maneirista ).

CONTORNO – Conjunto de linhas que separa uma forma de outra, em desenho, pintura ou gravura. No desenho ou na gravura, o modo como o contorno é traçado pode, além de estabelecer a fronteira entre o corpo delineado e os restantes, sugerir a sua própria textura. Na pintura, é variável a maneira de sugerir o contorno, sublinhando-o com traços delimitando rigorosamente a cor (contorno nítido), ou deixando a mancha daquela, através de tonalidades graduadas, sugerir a fronteira de modo difuso (contorno impreciso).

CÓPIA – Versão de uma pintura original feita para ser aceite como tal e não como se da obra original se tratasse, diferenciando-se desta forma da contrafacção (ou falso) em que há uma intenção de prejudicar deliberadamente o receptor. Distingue-se também da réplica, que é uma versão de determinada obra executada pelo mesmo artista que criou o original, ou pela sua oficina. Uma cópia é normalmente motivada por factores didácticos, copiar era a base do ensino tradicional das artes, ou pela vontade de alguém possuir uma imagem cujo original é inacessível. Em ambos os casos pressupõe a admiração do original, mas se no primeiro responde à Academia, no segundo é motivada pelo coleccionismo. A cópia por vezes era ainda utilizada parcialmente, dentro de uma normal forma de compor utilizando modelos e figuras conhecidas popularizadas pela fama e pelas gravuras.

CORDA SECA (técnica de) - Técnica de decoração hispano - mourisca que consistia em desenhar o contorno dos motivos decorativos com a mistura de uma substância gorda, geralmente óleo de linhaça e manganês, evitando assim que na cozedura as cores se misturassem.

CORNIJA - Termo que designa o remate decorativo em moldura horizontal e saliente, que termina o entablamento.

COROA - Porção superior de uma pedra facetada separada do pavilhão pela cintura onde, caso exista, se encontra a mesa. No talhe rosa, a coroa é o conjunto das facetas acima da base.

CORPORAL - Peça em linho branco, engomado, tendo apenas como decoração renda ou bordado simples na orla, e pequena cruz situada no terço inferior da peça. Estende-se sobre o altar para colocar o cálice e patena.

CORTINA, BAMBINELA, ALMOFADA, REPOSTEIRO, GUARDA- ROUPA – Agrupam-se assim várias peças de adorno da Igreja, por ocasiões festivas. Podem ser nos mais variados tecidos.

COSTAS, ESPALDAR, ESPALDAS, ENCOSTO, RECOSTO - Superfície vertical ou oblíqua que serve para se apoiar as costas (e excepcionalmente o peito). As costas podem ter as seguintes características:
Móveis – quando comportam um sistema ou mecanismo, destinado a alterar a posição;
Cheias (sem qualquer abertura) – as costas cheias podem ainda ser constituídas por uma armação móvel (falsas costas), com guarnição de mudar mantida num encaixe (caixilho ou aro de recosto), por meio de parafusos,ou de pequena lingueta giratória; Abertas ou vazadas – com aberturas executadas mediante diversos desenhos e processos. Quando constituídas por travessas verticais,a travessa do meio designa-se por tabela,sendo geralmente mais decorada e que pode, por sua vez, ser cheia ou vazada.

CRAQUELÉ – Termo francês = craquelure =. Rede de fendas numa superfície pintada, ou esmaltada. Essas fissuras podem derivar da idade e nesse caso formam uma rede quase microscópica que vai até ao suporte, resultante das diferenças de dilatação deste e das tintas, uma vez completamente seca a pintura. Podem também ser precoces, originadas por secagem irregular das camadas ou brusca mudança de temperatura: o caso da rede forçada do “craquelé” das falsificações. A configuração do “craquelé” varia com o suporte. v. ESTALADO

CRAVAÇÃO - Forma como as pedras estão cravadas, engastadas ou encastoadas no metal das jóias. Sinónimo de engaste.

CRÉ – Carga inerte de carbonato de cálcio que misturado com aglutinante, constitui um tipo de preparo da pintura, sobretudo associado ao norte da Europa, uniformizando as telas ou as tábuas e permitindo uma maior impermeabilização destes suportes.

CRISTAL - Do grego krystallos, que deriva de kryos, frio. (1) Porção homogénea de matéria cristalina limitada ou não por faces planas, sendo, portanto, uma entidade sólida cujas partículas constituintes (átomos, iões ou moléculas) se encontram organizadas de uma forma geométrica, regular e tridimensional, relacionadas umas com as outras através de operações de simetria. (2) Expressão genérica popular para designar um sólido natural com forma exterior geométrica poligonal bem definida. (3) Designação antiga do quartzo hialino, por se pensar que este resultaria do ngelo intensamente congelado. (4) Termo comercial antigo que aludia a gemas incolores de baixo custo, em regra engastadas em joalharia de prata com forro reflector. (5) Vidro artificial rico em chumbo muito usado hoje em dia em baixelas e lustres na chamada indústria de cristalaria.

CROMOLITO (técnica de) - Técnica de decoração usada no grés duro não vidrado e que consiste na criação de zonas de cores diferentes, através da incrustação de pastas de diferente coloração.

D


 

DALMÁTICA - Túnica ampla, com mangas. Pode ser inteiriça ou aberta dos lados. Executada em tecido (s),é frequentemente ornamentada com bordados, galões e borlas. É usada habitualmente pelos diáconos, mas também em determinadas circunstâncias, pelos presbíteros coadjuvantes e pelos prelados.

DESENHO – Genericamente, o desenho é uma representação gráfica de formas executada ordinariamente com lápis, caneta, sanguínea, tinta ou pastel sobre papel, pergaminho ou outro material. Na pintura, desenho caracteriza o conjunto de linhas de contorno que permitem caracterizar uma forma, sendo tradicionalmente uma das partes constituintes da pintura, além do colorido, da composição, da invenção e do decoro.

DIAMANTE ROSA - Expressão de gíria que normalmente alude a diamantes lapidados em talhe rosa, e não a diamantes cor-de-rosa.

DIAMANTE-BRILHANTE - Expressão antiga que fazia referência a diamantes lapidados em talhe tipo brilhante antigo.

DOSSEL / BALDAQUINO - Armação formada por vários panos de tecido, basicamente um vertical e outro horizontal formando um pequeno tecto, destinada a conferir relevo e dignidade determinando objecto: trono, cadeiral, outros.

DUREZA - (1)Capacidade plástica da pasta que depende do seu conteúdo de água, permitindo ou não a moldagem. (2) Propriedade física que representa a resistência dos materiais à abrasão ou à penetração, geralmente apresentada em função da Escala de Mohs. Esta é uma escala numérica relativa, que foi idealizada pelo mineralogista alemão Frederick Mohs, em 1822, dispondo 10 minerais comuns numa sequência de 1 a 10, dos menos duros aos mais duros, sendo que os de número superior riscam os de número inferior, nunca sendo riscados por estes: 1- Talco, 2- Gesso, 3- Calcite, 4- Fluorite, 5- Apatite, 6- Ortoclase, 7- Quartzo, 8- Topázio, 9- Corindo, 10- Diamante. Em gemologia, é altamente desencorajado o teste de durezas, já que este, sendo potencialmente destrutivo, pode danificar as amostras.

E


ENGOBE - Preparado argiloso de consistência cremosa bastante fluida, de cor natural ou corada com óxidos metálicos, utilizado para decoração do corpo cerâmico.

ENSAMBLAR /ENSAMBLAGEM - Juntar, unir partes, elementos ou peças que constituem uma obra esculpida. Termo usado na retabulística para designar a actividade de montagem do conjunto.

ENTABLAMENTO - Termo arquitectónico que designa a estrutura que remata superiormente as colunas adossadas dispostas no armário.

ENTALHAR /ENTALHE - É um dos mais antigos processos usados para esculpir. Consiste num processo subtractivo executado sobre uma massa sólida de material resistente (suporte) através do corte, cinzelagem ou abrasão de modo a criar uma forma determinada.
v.ESCULPIR,TALHAR.

ENTALHE - Gravação de pedras, geralmente translúcidas a opacas, com sulcos em profundidade, que difere do camafeu por este último ser em relevo, e que é utilizado, por exemplo, em manufactura de selos com motivos heráldicos ou outros.

ENTREPANOS - Septo ou painel, vertical ou horizontal, que divide interiormenteo móvel.

ENXAQUETADO (técnica de) - Composição decorativa obtida por um esquema de aplicação de azulejos de duas cores em alternância com formas geométricas e dimensões variáveis, separados por FAIXAS rectangulares, tarjas em geral de cores lisas. Utilizaram-se em revestimentos parietais desde a segunda metade do séc. XVI até meados do séc. XVII.

ENXAQUETADO COMPÓSITO (técnica de) - Variante do ENXAQUETADO em que os azulejos brancos interiores são substituídos por azulejos decorados, geralmente de padrão

EPITÁFIO - Inscrição gravada directamente num monumento funerário ou numa placa separada, adossada ou não ao túmulo.

ESCORÇO – Representação perspectivada de um corpo de forma a que este apareça numa imagem mais curta do que a sua representação frontal. Assim, a cabeça, ou os pés, são o elemento que aparece no primeiro plano. Francisco de Holanda chama-lhe “recorsado”, que deve ter sido a designação tradicional em português, embora presentemente se use mais a forma derivada do italiano scorzio.

ESGRAFITADO (técnica de) - Técnica de decoração que consiste na gravação com estilete ou prego no corpo cerâmico dos motivos decorativos, retirando o vidrado e deixando aparecer a chacota.

ESMALTAGEM (técnica de) - Técnica que consiste na cobertura do corpo cerâmico com substância vítrea transparente mais densa ou de cores opacas.

ESMALTE - Cor de origem mineral vitrificável e opaca, usada na decoração cerâmica.

ESPONJADO (técnica de) - Técnica de decoração que consiste no uso de uma esponja embebida em PIGMENTOS CERÂMICOS ou ÓXIDOS no corpo cerâmico para obter uma decoração com aparência de pedra. Usada desde o séc. XVIII, especialmente no revestimento de rodapés.

ESTALADO – O mesmo que craquelé ou craquelure. Designa a rede de pequenas fissuras que cobrem uma pintura em consequência do seu envelhecimento, derivado da forma diferente como as diversas camadas picturais e o suporte se vão movimentando com as variações das condições ambiente, ou da utilização de certos materiais ou imperfeições técnicas, tratando-se então

ESTAMPAGEM (técnica de) - Técnica de decoração que consiste na aplicação do desenho por meio de uma estampa ou decalcomania com ponteados no vidrado, numa só cor.

ESTAMPILHAGEM (técnica de) - Técnica de decoração que consiste na colocação de uma máscara ou “estampilha” – papel oleado ou placa metálica -, com o desenho que se quer reproduzir sobre o azulejo. O motivo é pintado à trincha e, consoante o número de cores, assim varia o número de estampilhas.


ESTANTE de altar - Estante de pequenas dimensões, usada nos altares para apoio do livro;

- de coro, atril, facistol ou antifonário – móvel com dois ou mais planos inclinados para apoio de livros, fixos ou rotativos, com travão ou cerra-livros no rebordo inferior; assenta num suporte central com base,a qual pode ter a forma de um armário com portas; móvel de grandes dimensões, dificilmente removível, destinava-se a ser colocado no coro das igrejas, recebendo o nome de “estante do meio do coro” na documentação;

- de pé alto – móvel portátil, comportando apenas um plano inclinado com travão para apoio do livro. Possui um suporte alto, formado por um fuste, e uma base triangular, quadrada ou circular;

- de púlpito – Pequena estante de ferro ou madeira que apoia ou encaixa no balcão do púlpito;

- de tesoura – Móvel articulado cuja estrutura, habitualmente em ferro ou em madeira, poderá ser integralmente revestida de tecido. Apresenta um plano inclinado para o apoio do livro - em couro ou tecido, de modo a permitir a sua articulação - e respectivo travão. A articulação é feita através de dois eixos que permitem a rotação das pernas, unindo as pernas traseiras e as dianteiras.

ESTOFAR /ESTOFO /ESTOFADO - Acção de branquear uma figura talhada ou entalhada para a dourar e aplicar sobre ela os pães de ouro. Significa também a ornamentação das vestes das imagens trabalhada de modo a imitar tecidos.

ESTOLA – Tira alongada de tecido ou bordado terminando em forma trapezoidal ou semi – circular. Apresenta três pequenas cruzes ao centro e nas extremidades. É usada pelo presbítero e pelo bispo e em certas circunstâncias, pelo diácono, mas colocada de forma diferente.

EX-VOTO – Objecto colocado numa igreja ou capela em cumprimento de um voto, ou alusivo a uma graça recebida. Na generalidade são obras de arte de carácter popular.


 

F

 

FACE - Superfície exterior natural de um cristal (não trabalhado pelo Homem), directamente relacionada com a estrutura cristalina. Diferente de faceta.

FACETA - Superfície plana polida de uma pedra lapidada ou facetada. Diferente de face.

FAIANÇA - Designação que tem origem na cidade italiana de Faenza, importante centro produtor e exportador de cerâmica desde o séc. XV. Actualmente, refere-se a um grande grupo de produtos cerâmicos de PASTA mais ou menos porosa, e mais frequentemente branca, recoberta por um revestimento de VIDRO com ou sem decoração. Inclui-se neste grupo uma grande parte das loiças utilitárias, de mesa e decorativas. v. MAJÓLICA.

FAIXA - Tipo de MOLDURA linear que pode ou não limitar uma composição ou uma área de cor lisa. Geralmente, a faixa tem metade do tamanho do azulejo que acompanha.

FALDISTÓRIO - Também designado por facistol, é um móvel de assento utilizado pelo prealdo. A maioria dos exemplares conhecidos são executados em metal. ou mais raramente em madeira. Possui uma estrutura em regra rígida, habitualmente desprovida de espaldar mas sempre com braços. Deveria ser coberto de tecido de acordo com a cor litúrgica do dia, e era colocado diante do altar.

FALSO – Um falso é uma obra de arte feita com a intenção expressa de ser comercializada ou circular como uma outra diferente. Esta intenção afasta da noção de falso as réplicas, feitas no atelier de onde procede o original pelo pintor ou pelos seus discípulos, as cópias feitas com intenção de multiplicar o modelo antes da reprodutibilidade mecânica da obra de arte, ou por razões de estudo e aprendizagem e, finalmente, as más atribuições, isto é, o reconhecimento em determinada fase, pela historiografia, ou pelo comércio, de uma autoria que mais tarde não se comprove. A história dos falsos remonta pelo menos à antiguidade romana, onde algumas esculturas importadas como gregas eram efectivamente forjadas para serem vendidas como tais. A assinatura falsa, feita com intenção de burla, ou para sublinhar uma atribuição existiu desde há muito, correspondendo a modas que hoje nos podem parecer absurdas. Outra situação difícil de definir é a do hiper-restauro, em que um pequeno fragmento de pintura é continuado com técnicas que pretendem não deixar entender a parte completada. Conhecem-se casos, por exemplo nos chamados “Primitivos Flamengos”, em que mais de metade da composição foi completamente refeita. A situação foi relativamente corrente no século XIX, quando os restauradores eram sobretudo artistas, habituados à execução de cópias, mas continuou, nos finais do século e no século XX, associada a uma tentativa de aumentar o valor comercial das obras, isto é, de alguma forma, a falsificar, ainda que uma parte da pintura seja verdadeira. A Análise do suporte, a detecção de pigmentos ou ligantes que não se encontravam em uso, na época e a análise à luz ultravioleta são elementos de despistagem dps falsos, cuja detecção se torna mais difícil quanto mais contemporânea é a obra falsificada.

FERROS – Desenhos dourados a quente, na lombada ou capa de um livro, essencialmente de cabedal.

FESTÃO - Ornato baseado numa grinalda pendente de flores, folhas, ramos e frutos.

FIGURA de CONVITE - Painel de azulejos representando figuras à escala natural - lacaios, alabardeiros, damas ou guerreiros -, em atitude de receber, colocadas em átrios, escadas e jardins. Estão normalmente associadas a um SILHAR de azulejos figurativos ou de padrão de que se destacam, sendo a parte superior do corpo feita com azulejos recortados. Foram produzidos nos séculos XVIII e XIX.

FILETE - Elemento ornamental representando um fio fino.

FIRMAL - Adorno usado para prender mantos ou vestidos, ou encastoado em faixas na cabeça, surgindo muitas vezes a ornamentar as imagens ou estátuas esculpidas.

FISSURA - Pequena abertura muito estreita, geralmente planar, observável à lupa de 10x.

FITOMÓRFICO - Motivo ornamental com inspiração no mundo das plantas.

FLORÃO- Ornato baseado na estilização em relevo de uma flor circular.

FORRO - Pequena folha, ou folheta, metálica, muito fina, reflectora, antigamente obtida a martelo a partir de ouro, prata, cobre ou outra liga metálica, que pode ser artificialmente colorida com pigmentos. Este forro era habitualmente colocado atrás das pedras engastadas em cravação fechada para, por reflexão, melhorar o seu brilho e/ou cor.

FRACTURA - (1) Abertura estreita, geralmente planar, observável a olho nu, normalmente tida como indesejável à qualidade das gemas (2) Propriedade física dos materiais que corresponde à forma reentrante particular, ou eventualmente saliente, que é deixada no material após, por exemplo, uma pancada forte (p. ex. fractura concoidal em quartzo ou vidro).

FRAGMENTO - Parte de uma obra que se encontra desmembrada. O fragmento de um grupo pode estar íntegro ou apresentar lacunas. Uma escultura de vulto destacada por ruptura de um grupo escultórico não é considerada uma imagem ou uma estátua isolada, e sim um elemento fragmentário de um grupo.

FRISO - Tipo de moldura simples, constituída por secções rectangulares de azulejo.

FRONTAL - Revestimento móvel do altar, principal e secundários. Pode ser designado também por antependium, quando é referida apenas a parte anterior do altar. Executado em tecido (s), é decorado com bordados, galões e tem normalmente franja a definir a parte inferior da frontaleira.

FRONTAL de ALTAR - Painel de azulejos para revestimentos de altares, ditos de caixa, utilizados do século XVI ao século XVIII. É constituído por três partes: sanefa, sebastos e pano, podendo este último ser inteiro, bipartido ou tripartido. Na sua decoração é evidente a influência de frontais têxteis, imitando os bordados nas sanefas e sebastos, e brocados e tecidos indianos nos panos.

FRONTÃO - Termo arquitectónico utilizado para designar o remate tringular, que pode ser colocado no topo de um armário. Pode ser interrompido ao centro, sendo preenchido com um elemento decorativo ou uma peça de porcelana.

FUNDO – Parte da composição de uma pintura que enquadra as figuras ou as formas principais do quadro, que dele sobressaem.

FUSTE - Elemento de arquitectura, Parte central da coluna; apresenta-se geralmente com uma secção cilíndrica, podendo ganhar uma forma troncocónica ou galbada.Quando é executado numa só peça denomina-se monolítico; quando se compõe de vários elementos diz-se aparelhado, composto por tambores sobrepostos.A superfície do fuste pode ser lisa ou canelada.


G


GEMA - Termo de origem latina, gemma (pedra preciosa), utilizado pela primeira vez em pbiortuguês por Luís de Camões, no séc. XVI, definido como material cuja beleza, raridade e durabilidade o tornam aplicável em joalharia ou apto para uso de ornamentação.

GÉNERO (GÉNEROS PICTÓRICOS) – Os géneros definiam divisões na arte da pintura segundo os temas que representavam – a pintura de História, que tinha por base um texto literário, o retrato, a paisagem, a natureza-morta, a pintura de flores e a pintura decorativa. Traduziam uma hierarquia de importância que tinha por base a valorização do carácter didáctico e moralizante da arte e até ao século XVIII reflectiam-se na importância dada aos pintores que os cultivavam e no próprio preço das obras.

GLACIS – v. VELATURA

GRADE – Armação feita de madeira em que se estende e fixa a tela.

GRAFITE – Forma cristalina natural do carvão. Foi produzido industrialmente desde 1891. Mineral que serve para fazer lápis.


GRÊS - Pasta em que o barro e o vidro estão misturados completamente, dando lugar a um corpo cerâmico vitrificado e não poroso, e sujeito a uma cozedura a temperatura superior a 1200ºC.

GRINALDA - Ornato formado de flores, folhagens e frutos entrelaçados com fitas.

GRISALHA – Pintura monocromática em tons de cinzento (gris), ou verde ou castanho acinzentados, usada normalmente no verso dos volantes de trípticos ou polípticos.

GROTESCOS - Ornamento que consiste em motivos dispostos com profusão, sem aparente relação entre si , incluindo frequentemente figuras humanas, pássaros e outros animais, e monstros dispostos entre grades e medalhões pintados.

GUALDRAS - Argolas grossas, executadas geralmente em ferro, que se colocam lateralmente em móveis de grande porte servindo para o seu transporte (elemento comum a outros móveis).

GUARNIÇÃO - Limite de uma composição por fiadas simples – CERCADURAS e FRISOS, fiadas duplas - BARRAS ou fiadas compósitas de azulejos.

H

HISTORIADA(O) - Adjectivo que classifica um elemento de arquitectura (p.ex., um capitel ) que está esculpido com personagens que representam uma “história”ou se integram numa narrativa; Representação narrativa de cenas religiosas ou profanas.

I


 

ICONOGRAFIA - O significado literal do termo é “ descrição das imagens”. A iconografia é a disciplina que identifica e classifica os temas de uma obra de arte.

IHARGA - Face lateral do móvel .

INCRUSTAÇÃO (técnica de) - Técnica decorativa oriental que consiste em moldar um desenho sobre a argila mole, preenchendo os vazios com outras argilas coloridas.

INSCRIÇÃO – Legenda. Frase ou texto que de forma abreviada ou extensa esclarece o sentido de uma imagem, a sua fonte iconográfica ou as condições da sua execução

J

JACENTE - Efígie funerária, geralmente esculpida em vulto, representando o morto deitado e vestido; os jacentes encimam as caixas dos túmulos, ou são representados sobre um leito de aparato. São exemplos de jacentes as esculturas de D.Inês de Castro e de D.Pedro I em Santa Maria de Alcobaça, ou as de D.Afonso Henriques e D.Sancho I, em Santa Cruz de Coimbra.

JOELHO - Parte mais volumosa das pernas galbadas (em curva e contra curva), geralmente mais decorada.

L


LAMBRIM - v. SILHAR.

LAMBRILHA - Azulejo de dimensões reduzidas, de corda seca e aresta, utilizada nos séculos XV e XVI, integrando revestimento de pavimento. Pode designar também um azulejo pintado, estampilhado ou estampado, usualmente como de FIGURA AVULSA, recuperado em 1937 por artistas modernistas com inspiração no imaginário e cultura populares.

LÁPIDE - Pedra talhada com forma geométrica, habitualmente com função em monumentos funerários. Pode apresentar inscrições epigráficas, decoração ou figuração.

LOSETAS - Corpo cerâmico quadrado aplicado em MOSAICOS CERÂMICOS em articulação com ALFARDONS, para revestimento do pavimento.

LUSTRE (técnica de) - Tipo de decoração de aspecto metálico. É uma mistura de sais metálicos, resinas e nitrato de bismuto que se aplica sobre uma peça vidrada e se volta a cozer a temperatura mais baixa.

LUVAS EPISCOPAIS - Semelhantes às luvas comuns, de tecido ou malha muito ornamentadas, podendo apresentar monograma cristológico ou emblemas religiosos.

M


MACACARIA - Decoração onde os macacos aparecem entretidos em brincadeiras, vestidos com roupa de pessoas e desempenhando tarefas humanas. Usado para SINGERIE.

MAÇAROCA - Ornato composto por um toro revestido com bagas e com folhas na base, idêntico a uma maçaroca de milho.

MAJÓLICA ( técnica de ) - Designação com origem provável no nome da ilha de Maiorca, cuja produção cerâmica se teria estendido a Itália no séc. XV, adquirindo aí a designação de FAIANÇA. Consistia no revestimento com vidrado estanífero da chacota, ficando a superfície preparada para se pintar directamente a decoração. Utiliza-se por vezes para designar exclusivamente as faianças de pasta corada.

MANÍPULO - Tira de tecido, formalmente semelhante à estola, mas de menor dimensão. Pode apresentar um pequeno laço de passamanaria ou fita a unir os dois lados. Era usada por todos os intervenientes nas celebrações.

MAQUINETA - Sinónimo de oratório, armário contentor de imagem ou imagens religiosas. Quando tem uma função não religiosa, por exemplo quando serve de contentor de esculturas que representam o corpo humano, ou como armários que alberguem objectos esculpidos em gabinetes de curiosidades ou em gabinetes de naturalia, o termo maquineta também pode ser empregue.

MARMOREADO - Técnica pictórica de imitação e fingimento da aparência do mármore executada sobre a madeira ou outros suportes.

MASCARÃO - Elemento decorativo formado por rosto humano ou animal, realista, caricatural ou fantástico.

MATERIAL GEMOLÓGICO - Material que reúne condições para ser aplicável em joalharia, ou apto para uso pessoal de ornamentação, incluindo substâncias naturais (e.g. minerais, rochas, fósseis, substâncias orgânicas) e produtos artificiais (e.g. vidros, dobletes, pedras sintéticas).

MEDALHÃO - Qualquer figura inscrita numa moldura oval ou circular.

MEIA CÓMODA – Cómoda mais alta do que larga (Reyniés).

MEIA-PÉROLA - (1) Pérola natural serrada ao meio, ou parte de pérola, muito utilizada no séc. XIX e XX para ornamentação de jóias. (2) Nome corrente das pérolas de cultura comercialmente conhecidas como pérolas "mabe".

MINERAL - Substância sólida, homogénea, natural e inorgânica, com composição química susceptível de variar dentro de determinados limites, e estrutura cristalina bem definida (e.g. diamante, topázio, corindo, berilo).

MÍSULA - Peça saliente, com maior profundidade do que altura, destinada a servir de ponto de sustenção de uma escultura.

MITRA - Cobertura de cabeça, formada por duas peças rígidas, de forma ovalóide ou triangular, podendo ser ligadas entre si por tecido. Da parte posterior pendem duas tiras estreitas, os pendentes. Em tecido rico, profusamente ornamentadas, fazem parte das insígnias episcopais e são usadas, em cerimónias, por bispos arcebispos e determinados abades.

MODELADO - Técnica de fabrico da chacota de peças únicas que ganham forma pela acção directa do artesão ou do artista através do uso da mão ou de instrumentos.

MÓDULO - Unidade de repetição composta por um ou vários azulejos, cuja justaposição cria o revestimento de PADRÃO. Os motivos decorativos são concebidos tendo em vista o uso em repetição, existindo para tal elementos de ligação e alternâncias de centros que garantem a continuidade da trama ornamental do PADRÃO.

MOLDADO - Técnica de fabrico da chacota que ganha forma pela aplicação manual do barro num MOLDE.

MOLDE - Peça única ou composta por diversas partes, geralmente feita de gesso, que constitui o negativo de uma peça e permite numerosas reproduções da mesma.

MONOGRAMA – Letra, ou letras entrelaçadas, utilizadas em substituição da assinatura.

MORDENTE – Substância adesiva viscosa e de secagem lenta (óleos secativos ou adesivos sintéticos) utilizada para fixar a folha de ouro na técnica de douramento a óleo.

MOSAICO CERÂMICO - Composição decorativa para pavimentos constituída por peças cerâmicas autónomas, de formas variadas (polígonos hexagonais estrelados ou outros), justapostas segundo regras de repetição.

MÓVEIS de CONTER - Móveis destinados a conter, conservar ou expor objectos e alimentos. Podem ainda, sob esta designação incluir-se os móveis que se destinam pelas suas variadas gavetas ou prateleiras a guardar de forma organizada um contéudo específico (xiloteca, classificador de arquivos ou cartonnier, guarda-joias, frasqueira, etc) ou determinadas colecções; (medalheiro, colecções naturalistas,mineralógicas,etc.).

N

O


ÓVULO - Ornato comum em forma de ovos truncados separados por dardos ou folhas.

P


PADRÃO - Composição decorativa regrada pela repetição de um MÓDULO. Foi largamente utilizado no séc. XVI e na segunda metade dos séculos XVIII (v. TAPETE) e XVIII e, também no século XIX, então como revestimento de fachadas.

PAINEL - Composição formada por um número variável de elementos cuja leitura constitui uma unidade formal, funcional e estética.

PANEJAMENTO – Modo como o artista cobre as figuras, tirando efeitos plásticos dos trajes, pela organização das pregas, cores, texturas, etc.


PANO - v. FRONTAL de ALTAR.

PARAMENTO - É a designação comum para o conjunto de peças directamente utilizadas na liturgia - CASULA, DALMÁTICA e TUNICELA, ESTOLA e MANÍPULO – distinguindo-se por uniformidade formal e respeitando as cores próprias dos tempos litúrgicos. Outras peças como o PLUVIAL ,BOLSAS,VÉUS e FRONTAL estão – lhe associadas, apresentando as mesmas características. Por vezes, peças apenas idênticas na cor são utilizadas como parte de um mesmo paramento, por já não existirem as originais.

PASTA - Mistura de várias argilas minerais e outras matérias não plásticas, que constitui o corpo cerâmico.

PEDRA ARTIFICIAL - Produto artificial cristalino sem correspondente natural, ou seja, cujas composição química e estrutura cristalina não se sobrepõem às de substâncias naturais conhecidas (e.g. GGG - granada de gálio e gadolínio).

PEDRA COMPOSTA - Produto artificial constituído por duas ou  mais partes separadas (naturais e/ou artificiais) que são coladas com produtos incolores ou coloridos (e.g. doblete).

PEDRA DE COR - Expressão do sector que diz respeito a todas as gemas, excepto diamantes e subtâncias orgânicas, como as pérolas, corais, etc.

PEDRA DURA - Material gemológico (mineral ou rocha) geralmente translúcido a opaco, usualmente empregue em pequenas estatuetas decorativas e bibelôs (e.g. malaquite, ágata, lápis lazúli).

PEDRA SEMI PRECIOSA - Termo enganador, internacionalmentebanido pela CIBJO - Confederação Internacional da Ourivesaria - que não deve ser empregue em gemologia ou ourivesaria. Sugere-se a utilização das expressões pedra preciosa ou gema.

PERSPECTIVA – Meio de transposição sobre um plano de um espaço a três dimensões. Nesta técnica incluem-se não só a perspectiva geométrica clássica, definida no Renascimento, mas todos os processos empíricos utilizados para criar a ilusão de tridimensionalidade.

PIGMENTO – Qualquer substância com capacidade para transmitir a sua coloração a outra substância quando misturada com aglutinante dá origem a uma tinta. São geralmente de natureza inorgânica e podem ser obtidos de modo natural (moagem, cocção, etc.) ou por procedimentos sintéticos.

PILASTRA - Elemento de arquitectura. Suporte vertical plano adossado a uma parede que, na arquitectura clássica, ou na classicista, corresponde a uma determinada ordem arquitectónica; apoia-se sobre uma base e remata num capitel.

PLACA - Corpo cerâmico de espessura e forma variáveis e de maiores dimensões do que o azulejo, constituído por base argilosa, lisa ou modelada, decorado e vitrificado ou não numa das faces.

PLUVIAL,CAPA de ASPERGES - Capa semi –circular, podendo unir na frente por pequeno rectângulo de tecido ou peça metálica – o firmal. Nas costas, apresenta uma peça destacada em forma de escudete, frequentemente presa por elementos de passamanaria - o capuz. Executada em tecido (s), e /ou bordado, com galões e franjas. É essencialmente uma veste processional, também usada em bênçãos solenes,e outras.

PÓ- de - PEDRA - Pasta a que se adiciona caulino para obter brancura e maior dureza.

POLICROMIA - Cobertura multicolor de uma escultura.

PONTA DE DIAMANTE - Ornato em pirâmide quadrangular que se destaca da superfície.

PORCELANA - Cerâmica em que as principais matérias primas são utilizadas são o caulino, o feldspato e o quartzo, originando uma massa muito lisa ideal para uma decoração mais detalhada.

PREDELA – O mesmo que banco. Painel, ou conjunto de painéis, colocados na base de um retábulo. v. RETÁBULO

PREGA /PREGUEADO /DOBRA - Parte de uma matéria rebatida sobre ela própria criando uma determinada espessura; ondulação de um material leve (em particular,de um tecido). O traçado das pregas representadas numa imagem ou numa estátua pode ser muito variado, tentando imitar a realidade ou ser distribuído arbitrariamente. O estudo deste traçado entra em grande parte na apreciação estilística das obras esculpidas; os historiadores de arte utilizam várias denominações para distinguir os diferentes tipos de pregas de acordo com o traçado, o relevo ou a sua distribuição: pregas em V, pregas em voluta, pregas enfunadas, pregas aplanadas, pregas caneladas, pregas em leque, pregas em aba, etc.

PRENSADO - Técnica de fabrico da chacota por um processo de formação em que a pasta é introduzida num molde por uma prensa mecânica.

PREPARAÇÃO, PREPARO – (1) Camada disposta sobre o suporte de uma pintura com o fim de o nivelar e impedir que as tintas se embebam. (2) É também designada de preparação a cor de base sobre a qual são dispostas as outras.

PRUMADAS, montantes - Peças verticais estruturais. Neste caso, constituem as pernas dianteiras ou traseiras. São geralmente colocadas nos ângulos do assento.Têm a mesma designação nos móveis de conter.

PUTTO (Pl. Putti) - Qualquer menino nu, por exemplo um Cupido ou pequeno anjo, que pode ser representado sem asas.

Q


 

QUILATE - Termo de origem árabe, qirát, corno pequeno, que derivou do grego kirátion e que alude à forma corniforme das vagens da alfarrobeira (Ceratonia siliqua), cujas sementes têm um peso médio aproximado de 0,2 gramas e que eram antigamente utilizadas como medida de peso. Actualmente, é a unidade internacional de medida do peso das pedrarias que equivale a 200 miligramas, tendo a sigla ct, aprovada como padrão em 1907 pelo Comité Internacional des Poids et Mesures e introduzida em Portugal em 1911.

R


RAJOLA - Placas quadradas destinadas a MOSAICOS CERÂMICOS, decoradas a azul e roxo sobre vidrado estanífero, utilizadas em composições repetitivas. Produção de Valência bastante comum até finais do século XV. v.ALFARDON.

REFLEXO METÁLICO (técnica de) - Técnica de decoração que confere um brilho metálico à superfície do vidrado obtido pela cozedura num forno com atmosfera redutora.

REGISTO - Painel de azulejos decorativos de intenção devocional, colocado nas fachadas de prédios, invocando a protecção da Virgem ou Santos contra cataclismos, cuja aplicação foi largamente difundida ao longo do século XVIII.

RELEVADO - Técnica de formatação da chacota através da marcação de formas em volume, mais ou menos destacado, pela aplicação da pasta em moldes.

RELEVO - Obra esculpida que apresenta elementos em ressalto de um fundo; o relevo pode variar desde o baixo - relevo até ao alto - relevo, de acordo com o volume mais ou menos pronunciado que as formas apresentam, mas é por princípio inferior a ¾ do seu volume real.

RELICÁRIO - (imagem relicário; busto relicário, cabeça relicário, grupo escultórico relicário, retábulo relicário) – Contentor para guardar, conservar e/ou exibir as relíquias de um santo, da Virgem Maria ou de Cristo, variando nas dimensões e na forma. Incluem-se nesta denominação as tipologias de objectos com representações figurativas humanas, incluindo partes constituintes da morfologia (bustos, cabeças, braços,mãos) , conjuntos ou grupos de imagens (grupo escultórico relicário) ou retábulos completos tendo como função conservar e mostrar as relíquias de santos, da Virgem ou de Cristo. v.RELÍQUIA

RELÍQUIA - Corpo ou fragmento do corpo de uma personagem santa, em particular de um mártir, objecto(s) utilizado(s) na sua vida ou durante o(s) seu(s) suplício(s) ou tecidos e outros objectos santificado(s) por contacto com os seus corpos (do latim brandeum, brandea), cuja veneração é autorizada pelas igrejas Católica e Ortodoxa.

REPINTE (REPINTADO) – Parte da pintura que cobre uma outra original. Os repintes podem ocorrer por acções de intervenção posterior na obra derivadas de critérios estéticos ou iconográficos. São sempre posteriores à finalização da obra, distinguindo-se por isso dos arrependimentos e alterações efectuados pelo próprio autor, e também se diferenciam dos retoques, colocados em regiões de falta de pintura pelas acções de conservação e restauro.

RÉPLICA – A réplica é uma cópia de uma obra original feita no atelier do artista que criou a primeira. Por razões de mercado muitas vezes os artistas tendiam a satisfazer vários encomendadores com a mesma imagem, fosse pela fortuna e agrado que ela obtinha, fosse por outro tipo de necessidades, como acontecia no caso dos retratos, que eram frequentemente replicados para trocas diplomáticas e para estarem presentes em diferentes palácios e serviços públicos. A réplica distingue-se da cópia, que é feita sobre um original mas por artista distinto, e da versão, em que o artista ensaia para o mesmo tema uma solução com algumas variantes.

REPRODUÇÃO - Peça tirada por molde a partir de um original. Pode apresentar-se em forma de estampa, fotografia, gravura, etc.

RESERVA - Área autónoma delimitada por filete ou moldura e que se destina à inscrição de uma legenda, símbolos ou representações de cenas ou paisagens.

RETÁBULO – O termo designa o fundo do altar e, por continuação, a decoração que ocupa essa parte. Normalmente encerra uma estrutura arquitectónica, na qual se desenvolvem imagens ou cenas retiradas da Bíblia ou das vidas de santos. Normalmente, o retábulo compõe-se de um painel ou imagem central, correspondendo à invocação do altar, e a uma sequência de painéis com figuras de santos ou passos historiados de histórias sacras, que se desenvolvem por vezes em várias fiadas, corpos ou andares, distribuídos por tramos. O registo inferior é normalmente de menores dimensões, em altura, e designa-se por predela, ou banco. Frequentemente toda a estrutura é coroada por um corpo avançado protector designado por sobrecéu ou guarda-pó. Na pintura italiana dos séculos XIII e XIV e flamenga dos séculos XIV e XV desenvolveram-se outras estruturas, com um desenvolvimento na horizontal (para um melhor aproveitamento das condições de iluminação, deixando livre a área superior das capelas para fenestração gótica), por vezes de grande mobilidade, em que parte da máquina retabular se articula sobre o centro, permitindo uma leitura com a estrutura fechada e uma outra com a mesma estrutura aberta. Essas abas designam-se por volantes e são frequentemente pintadas em grisalha na face posterior. Estes conjuntos designam-se por trípticos ou polípticos, consoante se distribuem em três ou mais corpos.

RUBI BALAS - Termo que alude à proveniência desta gema (Badaquistão, no Afeganistão) que é, na realidade, uma espinela vermelha. o m.q. rubi balaio, balax e balas.

S


SAFIRA BRANCA - (1) Nome comercial da safira incolor. (2) Nome erróneo de gíria que refere materiais gemológicos incolores que substituem o diamante (geralmente espinela sintética).

SANEFA - v. FRONTAL de ALTAR

SARCÓFAGO - Na origem, o termo identifica a caixa alongada em madeira, pedra, metal ou em terracota, destinada a conservar o corpo dos defuntos (literalmente, sarcófago significa “comer a carne”, em grego). Os sarcófagos podem incluir inscrições, relevos e/ou esculturas e nas suas diferentes faces, assim como na cobertura.

SEBASTOS - v. FRONTAL de ALTAR

SEDENTE - Qualidade de uma figura representada sentada.

SEQUILLÉ
- Designação portuguesa para os pendentes de forma triangular, com pendurezas associadas.

SERIGRAFIA - (técnica de) – Técnica de decoração em que os motivos são aplicados ao vidrado com o auxílio de bastidores de tecido que têm aberto o desenho, permitindo a passagem dos pigmentos.

SERPENTINA - Representação da figura humana, característica do Maneirismo, em que várias partes do corpo se contrabalançam num desenvolvimento ondeante.



SILHAR - Painel de azulejos para revestimento parietal, ocupando uma superfície que vai desde o chão até meio da parede.

STRASS - Termo criado em homenagem ao joalheiro francês Georges-Frédéric Strass (1701-73) que promoveu a criação deste tipo de vidro com alto teor de chumbo (com alguma alumina e arsénio), muito brilhante, com dispersão elevada e baixa dureza. Estes vidros foram amplamente utilizados em bijutaria europeia.

SUPORTE – Matéria-base sobre a qual é aplicada a preparação e a camada cromática. Os suportes mais usuais são a tela, a madeira e o cobre, para além da pintura mural, que se aplica sobre a parede. No entanto encontramos os mais variados materiais, desde o papel e o cartão até ao marfim, o pergaminho e o couro e uma enorme variedade de metais.


T


TACELO - ver ALICER.

TALHE - Sinónimo de lapidação.

TALHE ANTIGO - Expressão de gíria que diz respeito a estilos de lapidação do diamante anteriores ao talhe brilhante moderno (c. 1920) e que são normalmente irregulares e mal proporcionados.

TALHE BRILHANTE - Estilo de lapidação (c. 1920) especialmente desenhado e desenvolvido para se conseguir o melhor compromisso possível entre o brilho, o fogo e a cintilação do diamante, com um melhor aproveitamento do bruto. Tem 57 a 58 facetas, com 33 na coroa e 24 a 25 no pavilhão (dependendo da existência ou não de culatra), sendo o contorno mais frequente o redondo, havendo, no entanto, outras formas que, obedecendo aos mesmos critérios de número e tipo de facetas, incluem o oval, a pêra, a naveta (também designado marquise ou navette) e coração.

TALHE CARRÉ - V. TALHE QUADRADO.

TALHE CEILÃO - Termo de gíria que alude a talhes mistos, com pavilhões fundos, e que é típico das indústrias artesanais do sudeste asiático.

TALHE EM PONTA - Corresponde à forma octaédrica, ou seja, 8 faces, comum nomeadamente nos cristais de diamante e que foi muito utilizada no séc. XVI. Os diamantes lapidados desta forma eram então chamados "diamantes naifes".

TALHE ESMERALDA - O nome deste estilo de lapidação deriva do facto de ser bastante utilizado para as esmeraldas. Criado em finais do séc. XIX, caracteriza-se por ter contorno rectangular a quadrangular (chamando-se neste caso talhe octogonal), geralmente duas fiadas de facetas rectangulares na coroa e três no pavilhão, lembrando degraus, e os cantos cortados que justificam a sua utilização na esmeralda, já que minoram o risco de fracturação desta pedra frágil durante a cravação. É empregue habitualmente em pedras de cor e em diamantes relativamente limpos de inclusões.

TALHE EUROPEU ANTIGO - Com o nome original de old european cut, este talhe com 57 a 58 facetas, que surgiu na década de 1820, será o predecessor directo do actual talhe brilhante. Caracteriza-se por ter contorno arredondado, coroa alta, culatra facetada de dimensão bem visível e mesa pequena.

TALHE MESA - Talhe antigo com 9 a 10 facetas (5 na coroa e 4 a 5 no pavilhão), sendo frequente em diamantes, como o demonstram as jóias dos sécs. XVI e XVII.

TALHE MISTO - Estilo de lapidação muito usado em pedras de cor como, por exemplo, o rubi e a safira, em particular no sudeste asiático. Normalmente, a coroa tem características de talhe brilhante e o pavilhão características de talhe esmeralda (em degraus).

TALHE OITO-POR-OITO - Estilo de lapidação muito simples que tem 8 facetas no pavilhão e 8 na coroa com mais uma, a mesa, perfazendo 17 facetas. Na gíria chama-se huit-huit (do francês 8-8).

TALHE QUADRADO - Estilo de lapidação de forma quadrada, no qual raramente se
contam mais do que uma fiada de facetas na coroa. Muito utilizado em pedras de pequenas dimensões. Também é conhecido como talhe carré.

TALHE ROSA - Estilo de lapidação desenvolvido a partir do séc. XV com grande aplicação no diamante. Tem as facetas geralmente de forma triangular, sendo como que um cabuchão de topo facetado. Há-os de vários contornos (redondo, pêra, oval) e com diferente número de facetas, o que define as suas múltiplas variações.

TALHE TESOURA - Este estilo de lapidação deve o seu nome à existência, na coroa, de arestas de facetas que se interceptam, fazendo lembrar uma tesoura. O seu contorno habitual é o rectangular ou em coxim.

TAMBORETE - “Chama-se assim porque tem feição de hum pequeno tambor “(Bluteau, 1712/21). Móvel de assento individual,geralmente guarnecido e sem costas. Assenta normalmente sobre pernas e pés unidos em regra travessas. Os tambores executavam-se geralmente em série.Esta designação aplicou-se indiscriminadamente na 1ª metade do século XVII, a cadeiras de couro e de palhinha sem braços.

TAPETE - Painel de azulejos para revestimentos parietal, geralmente utilizado na cobertura de vastas superfícies, resultante da repetição regular de PADRÔES, sempre delimitado por MOLDURAS.

TARDOZ - Superfície não vidrada de um azulejo, correspondendo à sua face posterior, adossada ao suporte.

TELA – Suporte têxtil para pintura. Na sua forma actual é o mais comum dos suportes de pintura e consiste num pano, estendido sobre uma grade de madeira. Dada a fragilidade das primeiras telas sobraram poucos vestígios medievais, mas por certo este género de suporte foi utilizado desde muito cedo. De uma maneira sistemática a tela moderna, armada em grade, desenvolveu-se no final do século XV na pintura veneziana e ao longo do século XVI espalhou-se por toda a Europa, até se converter, nos finais da centúria, no suporte mais generalizado da pintura, com vantagens económicas, de peso, de acessibilidade e, em certos casos, mesmo de conservação. Em Portugal no entanto o novo material demorou a generalizar-se. Apesar de alguns exemplares, sobretudo de retratos, executados ainda no século XVI (Retrato de D. Sebastião, do MNAA, por exemplo), até à década de 1620 a pintura sobre tela foi claramente minoritária, só se invertendo a situação com o advento do barroco e da influência espanhola.

TELHA - Corpo cerâmico para cobrir edifícios, geralmente só em chacota, mas que pode ser também vidrado mesmo decorado.

TÊMPERA – Técnica de pintura em que o aglutinante é solúvel em água, colas, ovo, gomas, produzindo tintas de grande opacidade, possíveis de utilizar quer na pintura de cavalete, quer na pintura mural.

TERRACOTA - Designação adaptada do italiano Terra Cotta (barro cozido). Originariamente referia-se a toda a olaria de barro vermelho. Actualmente, designa um tipo de cerâmica predominantemente decorativa, de pasta de cozedura, bastante porosa e sem revestimento vítreo. O termo é usado para designar a escultura em barro cozido.

TESTEIRA - Travessa horizontal que une as duas pernas dianteiras com decoração diferente das restantes travessas(“SS” entrelaçados,em forma de concha, etc.).

TIJOLO - Peça cerâmica só em chacota, em forma de paralelepípedo, compacto ou vazado interiormente, que é utilizada na construção de paredes, podendo ter também função decorativa e receber ou não vidrado.

TONDO – Pintura circular (de rotondo, em italiano), muito utilizada na Renascença.

TOPÁZIO ORIENTAL - Designação comercial antiga da safira amarela.

TOPÁZIO QUEIMADO - Nome comercial incorrecto do quartzo citrino obtido por tratamento térmico de ametista.

TRAVESSA - Peça colocada vertical (costas) ou horizontalmente. Serve como elemento de união ou reforço das pernas de um móvel. Pode apresentar inúmeras formas.O conjunto de travessas designa-se por travejamento,ou travamento,travação ou amarração (termo brasileiro).

TREMPE - (cerâmica) Pequeno tripé de material refractário que se coloca entre os objectos cerâmicos para a cozedura do vidrado.
(mobiliário)Conjunto do travejamento de cadeiras e mesas; Mesa ou base, geralmente travada, executada propositadamente para apoiar o corpo superior. Pode apresentar ainda diversas formas: ser constituída por gavetas ou gavetões, ser idêntica a uma mesa simples ou a um armário baixo.

TRÉPANO – Objecto metálico com gume de aresta cortante utilizado pelos canteiros e escultores para perfurar o mármore, pedra e outros materiais duros criando zonas de profundidade e efeitos de claro-escuro.

TRÍPTICO – Pintura composta por três partes, um painel e dois volantes, sendo que, usualmente, estes têm a mesma altura e metade da largura do painel central, ao qual estão unidos por dobradiças, permitindo fechá-los sobre o centro, encerrando desta forma o tríptico. Foi uma forma de organização dos retábulos muito usual entre os séculos XIV e XVI, havendo normalmente uma hierarquia entre o painel central muitas vezes com representações de Cristo ou da Virgem e as abas, onde usualmente se representam Santos e, por vezes, doadores. Asd costas dos volantes, que fica visível quando o tríptico está fechado é por vezes pintado a grisalha, ou decorado com representações heráldicas de encomendantes ou doadores.

TURIFERÁRIA ( Imagem Turiferária) – O termo identifica uma imagem que sustenta um turíbulo que é um objecto litúrgico destinado a difundir e aspergir o fumo do incenso queimado no interior.

U



 

V


 

VELATURA (GLACIS) – Meio de expressão por excelência da pintura a óleo antiga, a velatura é a aplicação de uma camada de tinta de grande transparência e fluidez sobre uma camada de cor já seca, para a modificar na tonalidade ou na luminosidade. Pode ser utilizado quer sobre a mesma cor, quer em cores diferentes, tornando-as mais ricas de nuances. A análise do corte estatigráfico (vd.) de amostras colhidas na camada pictural permite observar as várias sequências de velaturas.

VESTUÁRIO de IMAGEM - Peças de vestuário, civil ou religioso usadas para vestir imagens de vulto.

VÉU de CÁLICE - Peça de forma quadrangular, com cerca de 50-65 cm de lado,de tecido, podendo apresentar bordados e galões. Ao centro, apresenta cruz ou monograma cristológico.

VIDRADO - Superfície de acabamento de um objecto cerâmico e que resulta do banho da chacota em VIDRO em suspensão aquosa e que funde durante a cozedura a altas temperaturas.

VIDRO NATURAL - Substância amorfa, vítrea, que ocorre na natureza como resultado de eventos geológicos particulares, tais como, vulcanismo (e.g. obsidiana, vidro de basalto), um impacte meteorítico (e.g. moldavite) ou um relâmpago (e.g. fulgurito).

VOLANTE (OU ABA) – Porta de um tríptico, que se fecha sobre o painel central. As costas são frequentemente pintadas a grisalha ou douradas com as armas do doador ou outros símbolos.

VOLUTA – Elemento decorativo formado por um enrolamento que se desenvolve a partir de uma espiral.

BIBLIOGRAFIA:

CARVALHO, Rui Galopim de, Pedras Preciosas na Arte e Devoção, Tesouros Gemológicos na Arquidiocesecde Évora, Fundação Eugénio de Almeida, 2006.

Normas de Inventário, Cerâmica, Artes Plásticas e Artes Decorativas, Instituto dos Museus e da Conservação, 2007.

Normas de Inventário, Cerâmica, cerâmica de revestimento, Artes Plásticas e Artes Decorativas, Instituto Português de Museus, 1999.

Normas de Inventário, Escultura, Artes Plásticas e Artes Decorativas, Instituto Português de Museus, 2004.


Normas de Inventário, Mobiliário, Artes Plásticas e Artes Decorativas, Instituto Português de Museus, 2004.

Normas de Inventário, Pintura, Artes Plásticas e Artes Decorativas, Instituto dos Museus e da Conservação, 2007

Normas de Inventário, Têxteis, Artes Plásticas e Artes Decorativas, Instituto Português de Museus, 2000.

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