Verdadeiro Mecenas, legou em testamento todos os seus bens móveis e imóveis ao Museu Nacional de Machado de Castro, numa elevada atitude filantrópica e de desprendimento pelos bens terrenos.

Descendente da pequena fidalguia gandaresa pela parte materna, Miguel Oliveira terá conseguido vislumbrar os seus antepassados até à primeira metade do século XVIII, através da construção da genealogia familiar que ele próprio pesquisou e traçou.

Completou o Curso Geral dos Liceus e chegou a frequentar o Curso Preparatório para Engenharia de Minas que cedo abandonou.

Em 1955 foi Ecónomo da Junta Provincial da Beira Litoral, desempenhou seguidamente as funções de Tesoureiro da Delegação da Zona Centro do Instituto Maternal e em 1974 foi Chefe de Secção no Centro Hospitalar de Coimbra até se aposentar em 1991. O seu falecimento ocorreu em Coimbra no ano de 1995.

Durante a sua vida interessou-se pelas artes, adquirindo objetos de cerâmica de várias épocas e origens como budas e objetos orientais, quadros de autores desconhecidos, talheres de prata, objetos de ouro, moedas, selos e medalhas.

A biblioteca de Miguel Oliveira revela a sua faceta de leitor em géneros diversificados, desde romances clássicos dos séculos XIX e XX, obras filosóficas e outras de caráter religioso.

Deixou bastantes escritos em poesia e em prosa com caráter muitas vezes pessimista e cético mas também outros com um certo toque de moralidade.

Do seu legado existem algumas peças que poderão ser destacadas como a de Cristo cruxificado. (E1093 - Século XVII)