A colecção de azulejos didácticos do Museu Nacional de Machado de Castro é constituída por nove exemplares adquiridos em 1930 a um antiquário, fornecedor habitual do Museu, outro, incorporado em 1941, de proveniência desconhecida, e os restantes dez de proveniência e data de incorporação indeterminadas. Catorze representam teoremas matemáticos, quatro, motivos relativos à Astronomia e dois, experiências relacionadas com a Física.


Livro VI, Proposição 44

Além destes, estão referenciados outros 6 três, pertencentes a particulares e os restantes ao Museu Nacional de Arqueologia e depositados no Museu Nacional do Azulejo


Livro I, Comentário de Tacquet (trisecção do ângulo recto)

A existência destes azulejos e a sua divulgação inicial, ficou a dever-se a Francisco Hipólito Raposo, na rúbrica Intervalo, incluída no semanário Expresso de 6/11/1982, que lhes atribuiu a designação de azulejos didácticos, a partir daí comummente usada.


Livro XII, Proposição 14 e 15

Em 1999, depois de um estudo aprofundado, relativo ao encomendante e à sua função original, fruto da colaboração estabelecida entre o Museu e o Professor Doutor Leal Duarte, do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, foram seleccionados os azulejos do Museu Nacional de Machado de Castro para a sua exposição permanente.


Livro I, Definição 31 (Definição 22 na edição de Heiberg)

O seu fabrico é posterior a 1652, data da passagem do cometa Hevelius, cronografada num exemplar do núcleo representando figuras astronómicas, e a 1654, data da versão dos Elementos de Euclides, de Tacquet, cujos diagramas reproduzem.


Livro V (comentário de Tacquet), Tema 2

O mais provável, é terem sido encomendados pelos Jesuítas, na sequência da carta de Tirso de Molina, Geral da Companhia, datada de 1692, referindo diversas medidas para melhorar o “nível do ensino da Matemática na província portuguesa”, particularmente nas escolas de Coimbra e de Évora.

Relativamente ao local de produção, a tonalidade dos pigmentos e vidrado apontam para um fabrico do norte do País, eventualmente Coimbra, onde era corrente a produção de objectos em faiança desde a primeira década do século XVII, senão mesmo desde os finais do século XVI. A dimensão de cada azulejo (20x20 cm), maior que a da produção corrente (13,5x13,5 cm) foi uma opção do encomendante, certamente relacionada com a facilidade de leitura que este formato proporcionava, não sendo portanto significativa para atribuição de local de fabrico.
O tamanho da encomenda, certamente de centenas de exemplares, não oferecia problemas de maior, se tivermos em consideração que a primeira metade do século XVIII correspondeu a um período de grande fulgor da produção cerâmica em Coimbra. Refere-se como potencial fabricante a oficina de Agostinho de Paiva, fornecedora habitual de milhares de azulejos para as instituições religiosas da cidade e região, certamente habilitada para a execução deste trabalho.

António Pacheco

Assessor principal do Museu Nacional de Machado de Castro